Acabara de descobrir a cremosidade desbotada e amarela da margarina; por aqueles dias deliciava-se em fazer deslizar a faca sobre biscoitos e torradas.
- É light, não tem problema.
Esquecia-se do colesterol, da caloria.
Cobria tudo com aquele tom, aquele sabor. Era mais que o sabor: era a textura! Encantava-se.
Desenhava caminhos e solos arados, tentava nivelar pequenos montes que restavam no pote e perguntava-se como algumas pessoas poderiam comer, até mesmo viver, com aquela confusão de curvas que faziam; sentiu-se andradiana, começou a observar potes alheios.
Queria viver uma vida margarinizante na ponta de uma faca de mesa.


